Mercado imobiliário pós Copa do Mundo é um mito?

A média de valorização que os imóveis residenciais tiveram nos últimos cinco anos no Brasil foi de 155%, de acordo com o Banco Central (BC). Diante desses índices e da boa fase que aeconomia do país vivia, muitos acreditavam e outros ainda acreditam que o momento de comprar um imóvel será após a realização da Copa do Mundo, em junho deste ano. Pois, junto com o evento, ocorreram e ainda vão ocorrer investimentos em infraestrutura por todas as cidades sede dos jogos, o que valoriza os imóveis.

Para o empresário Luiz Antônio Rodrigues, presidente da LAR Imóveis, maior imobiliária de Minas Gerais, que lançou, em março, uma grande Central de Vendas de imóveis em Belo Horizonte, vivemos hoje o mito do pós Copa do Mundo. “A partir de 2007, com a economia brasileira atingindo a estabilidade, houve queda do índice de desemprego e o aumento das linhas de crédito com juros menores. Com isso, o mercado imobiliário saiu do período de estagnação, reaqueceu e os preços se elevaram. Com os investimentos para a realização de grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo, muitas regiões foram valorizadas. Mas, hoje, o quadro do mercado é outro”, acredita o executivo.

Segundo Luiz Antônio, em 2013, o setor passou por um período de ajuste da oferta e da demanda, consequência natural depois de todo o alvoroço de anos atrás. “Após um aumento expressivo, cerca de cinco anos atrás, o ano passado foi de estabilização e manutenção dos preços, com algumas adequações dos valores à realidade do mercado”, afirma.

Indo na contramão das previsões, o executivo não acredita em uma baixa nos preços dos imóveis depois da Copa do Mundo, uma vez que o mercado já vem em um crescimento sustentável e ajustando os preços de acordo com a realidade do segmento. “O melhor momento para comprar a casa própria é aquele em que você pode comprar, se for agora, melhor ainda. Para a aquisição de um imóvel é muito importante fazer uma avaliação geral da situação econômica de cada pessoa. Não acredito que depois de junho o setor tenha uma reviravolta nos preços. Por isso, as pessoas não devem aguardar a realização do evento esportivo para realizar o seu sonho”, alerta o empresário.

Exemplo próprio
Luiz Antônio Rodrigues utiliza a experiência pessoal para contextualizar o mercado imobiliário. “O imóvel continuará sendo a moeda forte de sempre. Posso atestar isso, pois, em mais de 35 anos de mercado, jamais vi queda acentuada nos preços dos imóveis. O que está acontecendo no momento é que as construtoras diminuíram o ritmo de lançamentos de novos empreendimentos aguardando a venda de seus estoques. Após essa venda, os preços deverão ser ainda ajustados, caso as prefeituras das capitais insistam em cobrar por coeficientes de terrenos que já são direitos adquiridos dos proprietários e, quanto maior as exigências sobre preços nos coeficientes de construções, maior ainda serão os preços dos imóveis”, destaca o executivo. Ainda segundo o empresário, muitos economistas especulam sobre bolsas e aplicações, mas vivem de renda imobiliária, pois como muitos dizem: “façam o que eu digo, mas não façam o que faço”.

Após mais de três décadas dedicadas ao segmento imobiliário, o empresário tem muita tranquilidade para comentar sobre o mesmo. “Nos últimos cinco anos, o mercado era do vendedor, que ia para as reuniões de vendas e fazia suas exigências. E nós usávamos as habilidades para chegarmos a um denominador comum. Hoje, o mercado é do comprador e nossa habilidade é fazer de tudo para que comprador e vendedor concretizem o negócio. E, em minha sincera opinião pessoal e profissional, antes de comprar, vender ou alugar um imóvel, o cliente precisa de uma assessoria completa, feita por profissionais que possam dizer, como eu digo sempre aos meus clientes, façam o que eu digo e façam o que eu faço. Comprem sempre, e a hora de comprar é agora, e não em momentos de  euforia”, completa Luiz Antônio Rodrigues.