Cresce venda de imóveis, mas cai número de obras na construção civil no RN

Os indicadores do mercado imobiliário no Rio Grande do Norte estão convergindo para um cenário preocupante na construção civil.  Dados da mais nova pesquisa do Índice de Velocidade de Vendas (IVV) apresentado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RN) revelam aumento no número de vendas de imóveis residenciais, porém, diante de uma queda no estoque no último trimestre de 2014, causado pela diminuição na quantidade de novos lançamentos.

O estudo, realizado pela Consult, reúne números referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro passados, fornecidos por 29 empresas associadas ao Sindicato – o que corresponde a 90% do mercado imobiliário da Grande Natal. De acordo com o presidente do Sinduscon-RN, Arnaldo Gaspar Júnior, o cenário não seria preocupante se não fosse justamente a influência de um importante fator no mercado imobiliário: o número de lançamentos.

No trimestre em análise foram vendidas 1056 unidades residenciais, 322 a mais que as unidades vendidas no trimestre julho/setembro de 2014. Nesse período de aumento de vendas foram lançadas 715 unidades e o estoque caiu de 5.801 imóveis (em outubro) para 4.412 (em dezembro).

A primeira pesquisa do IVV, apresentada em julho de 2013, mostrou uma oferta de imóveis de 6.500 unidades. Isso significa que em um ano e seis meses – tempo em que a pesquisa vem sendo realizada – o estoque registrou uma queda de aproximadamente 35%.

“A quantidade de lançamentos no último trimestre de 2014 foi bem melhor do que no trimestre anterior, quando foram registrados apenas 87 lançamentos. Entretanto, pelo momento econômico que estamos vivendo, há de se esperar por uma baixa nos lançamentos. O sentimento neste início do ano é que passaremos por momentos difíceis. Janeiro e fevereiro são meses ruins para lançamento”, comentou Arnaldo Gaspar Júnior.

Ainda de acordo com a mais recente pesquisa do Sinduscon-RN, o Índice de Velocidade de Vendas em dezembro deu próximo de 5%. “Isso quer dizer que, se não houver lançamentos de novos imóveis, o estoque zera em 20 meses”, explicou o presidente do Sinduscon-RN.

Arnaldo-Gaspar---Sinduscon-HD---(5)

Impostos

A política de ajuste fiscal, com a alta de impostos e de juros que vem sendo praticada pelo Governo Federal, é o que leva às incertezas na construção civil. Entretanto, para Arnaldo Gaspar Júnior, embora o momento econômico do país esteja “brutalmente amargo”, as medidas adotadas para controlar a economia do país são fundamentais para o Estado cumprir com suas promessas.

“Pior do que pagarmos altos impostos é o Governo não honrar os seus compromissos. Há um descontentamento geral entre as empresas com relação ao futuro econômico do Brasil, mas o Governo precisa voltar à sua capacidade de honrar os compromissos. É preciso honrar aquilo que foi contratado, pagar o que se deve”, afirmou Arnaldo, citando as dívidas nas obras públicas e com o programa Minha Casa, Minha Vida.

“Neste momento, o que mais me preocupa é a possibilidade de falta de lançamentos de imóveis. Isso significará mais fragilidade na economia e aumento do desemprego”, comentou. O número de empregados no setor foi o único que se manteve estável na pesquisa do último trimestre de 2014. “Não houve muita variação porque as obras que estão em andamento permanecerão com suas contratações. Mas se não houver mais lançamentos, o desemprego será alto na construção civil”.

Imóveis comerciais

O IVV de outubro/dezembro de 2014 também trouxe dados sobre o mercado dos imóveis comerciais. Comparado ao mês de setembro, a queda na oferta de imóveis caiu 7,4%. Os últimos dados do estoque de imóveis comerciais registram a existência de 662 unidades.

As vendas acumuladas no quarto trimestre de 2014 (43 unidades) foi 8 unidades a menos que as vendas do trimestre abril/junho. Além disso, não houve lançamentos de imóveis comerciais.  O índice do IVV para imóveis comerciais caiu de 5,38% em setembro para 2,17 em outubro e atingiu 2,27 em dezembro.

Fonte: Jornal de Hoje